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PERGUNTAS FREQUENTES

Qual a função do fígado no corpo humano?

Em função do grande número de atribuições que o fígado tem no organismo humano, é muito difícil resumir todas as suas funções. Entre outras coisas ele é responsável pela produção de proteínas e pela síntese da bile, que atua na digestão das gorduras. Além disso, ele desempenha papel fundamental no armazenamento de glicose que é o principal “combustível” do organismo. Dessa forma, sempre que necessário o fígado supre o organismo da sua principal fonte de energia: a glicose. O fígado também é fundamental na proteção do organismo contra as infecções. Algumas células do fígado são especializadas em filtrar e retirar de circulação micro-organismos invasores. A metabolização de inúmeras substâncias, incluindo os medicamentos que utilizamos, é outra importantíssima função desempenhada pelo fígado.

O que fazer para ter um fígado saudável?

Manter bons hábitos de vida evitando o sobrepeso, monitorando e controlando eventuais alterações metabólicas como as elevações da glicose, do colesterol e triglicerídeos, evitar usar medicamentos sem orientação médica, evitar o uso continuado de bebidas alcoólicas e  pesquisar ativamente pela presença de infecções virais que possam causar hepatites, ainda que o paciente esteja totalmente assintomático.

Quais exames compõem o check up do fígado e o que cada resultado mostra?

Somente uma consulta médica criteriosa pode nortear de maneira segura uma adequada investigação a respeito das doenças do fígado. Entretanto, alguns exames rotineiros na prática clínica podem servir para uma avaliação inicial. O chamado hepatograma inclui algumas enzimas hepáticas (as aminotransferases AST ou TGO e ALT ou TGP, a fosfatase alcalina e a Gama-glutamil transpeptidase Gama-GT) além das bilirrubinas direta e indireta. A determinação da atividade de protrombina (TAP) e da concentração de proteínas (albumina e globulina) orienta a respeito da função do fígado. Outros exames, que não são específicos do fígado mas que podem auxiliar em alguns diagnósticos também devem ser solicitados tais como glicose, colesterol e triglicerídeos, entre outros. Uma ultrassonografia do abdômen realizada por profissional experiente também pode auxiliar bastante na avaliação do fígado.

Quais vacinas estão disponíveis na rede pública e nas clínicas particulares para imunizar contra as doenças do fígado?

As vacinas disponíveis são aquelas conta a hepatite A e contra a hepatite B.

O Ministério da Saúde oferece vacina contra a hepatite B nos postos de saúde do SUS e contra a hepatite A nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE). Não existe vacina contra a hepatite C.

A vacina contra a Hepatite A foi introduzida no calendário infantil em 2014, para crianças de 1 a 2 anos de idade. Ela também está disponível nos CRIE para pacientes portadores de outras formas de hepatopatia crônicas e nos candidatos a transplante de órgãos sólidos ou medula óssea.

A vacina contra a hepatite B faz parte do calendário de vacinação da criança, do adolescente e do adulto e está disponível nas salas de vacina do Sistema Único de Saúde (SUS), que ampliou a oferta da vacina para a faixa etária de 30 a 49 anos. Além disso, todo recém-nascido deve receber a primeira dose logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se a gestante tiver hepatite B, o recém-nascido deverá receber, além da vacina, a imunoglobulina contra a hepatite B, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão de mãe para filho.

Muitas doenças hepáticas não têm sintomas e o fígado é um órgão que normalmente não dói. Quando desconfiar que podemos ter alguma doença no fígado?

As doenças do fígado são frequentemente assintomáticas ou apresentam sintomas muito inespecíficos.  Isso contribui para que muitas pessoas não deem a devida atenção a elas. Muitas vezes, por exemplo, sintomas decorrentes de uma gripe (mal estar geral, febre baixa, dores articulares e musculares, dor de cabeça) podem se assemelhar aos sintomas da hepatite A. Essa semelhança é explicada em razão de serem, ambas as condições, determinadas por uma infecção viral.

A doença alcoólica do fígado bem como aquelas decorrentes da infecção crônica pelos vírus das hepatites B e C, podem evoluir de maneira progressiva por décadas antes de darem os primeiros sintomas.

Nesses casos somente uma criteriosa avaliação realizada por médico experiente e afeito às hepatopatias poderá detectar alterações precoces e propor tratamentos adequados antes que a doença evolua e comprometa gravemente a saúde dos pacientes.  Sintomas clássicos como icterícia (amarelamento dos olhos), coceira na pele (prurido), escurecimento da urina (colúria) e clareamento das fezes (hipocolia) chamam a atenção para desordens relacionadas ao fígado, embora ocorram apenas em uma parcela de casos. Quando a cirrose já se instalou, a ocorrência de ascite (barriga d’água), alterações neurológicas e hemorragias gastrointestinais conferem gravidade ao caso.

Há alteração de comportamento do fígado da mulher em relação às mudanças hormonais típicas da gravidez e da menopausa?

Na menopausa, não, mas há patologias que acometem o fígado que são específicas do período gestacional. Entre outras poderíamos citar:

  • Doença hipertensiva específica da gravidez: caracterizada classicamente por elevação da pressão arterial (140 x 90 mmHg ou mais) em uma gestante não hipertensa, identificada pela primeira vez após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada por edemas de instalação relativamente súbita e que não cede com o repouso.
  • Colestase da gravidez: tipicamente ocorre a partir do final do segundo trimestre de gestação. Caracteriza-se por prurido (coceira) generalizado, intenso e alterações das provas de função hepática, estando associada ao aumento das taxas de morbidade e mortalidade fetal.
  • Doença hepática gordurosa aguda da gestação: ocorre infiltração de gordura nas células do fígado (hepatócitos) que habitualmente se dá na segunda metade da gestação, mais comumente no terceiro trimestre. Embora rara, costuma ser grave e o reconhecimento precoce com rápida interrupção da gestação, têm melhorado o prognóstico dessa doença.

O fígado é o único órgão que se regenera. O que essa capacidade fisiológica representa em termos de vantagem para o ser humano?

Trata-se de uma característica muito interessante, pois permite procedimentos cirúrgicos com ressecção de grandes partes do órgão com completa recuperação em poucos meses. Entretanto, em certas doenças essa regeneração ocorre de maneira anômala, sobretudo, quando há muita fibrose no órgão como é o caso da cirrose. Nesses casos a capacidade regenerativa do fígado não representa uma vantagem.

Os remédios fitoterápicos e os suplementos nutricionais oferecem risco ao fígado?

Em relação aos fitoterápicos é importante diferenciá-los das plantas com supostos efeitos medicinais. Enquanto os fitoterápicos são regulamentados no Brasil como medicamentos convencionais tendo que apresentar critérios similares de qualidade, segurança e eficácia requeridos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – para todos os medicamentos, as plantas não têm qualquer tipo de controle nesse sentido. A ANVISA controla a produção, a liberação para consumo (registro) e acompanha a comercialização dos medicamentos, podendo retirá-los do mercado caso seu consumo apresente risco para a população. Como qualquer medicamento, o uso de fitoterápicos pode ocasionar problemas à saúde, devendo ser prescrito exclusivamente por médico que conheça seus potenciais efeitos benéficos e tóxicos. Pensar que o que é natural não faz mal é errado! Portanto, deve-se sempre procurar orientação de profissional de saúde evitando a automedicação. Da mesma maneira, a administração dos chamados suplementos nutricionais devem ser vistos com muita cautela, uma vez que a prescrição dessas drogas é muitas vezes feita com intuitos exclusivamente comerciais, por profissionais não habilitados e com origem incerta do produto.

Por que passamos a ouvir falar de tantos casos de hepatite C? A mobilização das autoridades públicas de saúde em torno das hepatites virais é importante?

A hepatite C é uma infecção viral que causa inflamação no fígado e tem uma grande tendência a se tornar crônica. Isso significa que a grande maioria das pessoas que se infecta por esse vírus (o vírus da hepatite C ou VHC) não consegue eliminá-lo do organismo, mantendo um estado de infecção crônica. Essa infecção crônica pode levar a inflamação e fibrose (que pode ser entendida como um tecido cicatricial) progressivas podendo acarretar o desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado. Essa evolução, embora possível, não é obrigatória e há pacientes que conseguem alcançar a cura antes dessa evolução desfavorável. Para isso é imperioso um diagnóstico precoce e a instituição do tratamento adequado. Entretanto, a maioria das pessoas que portam essa infecção, não sabe que tem hepatite C. Isso ocorre porque ela é frequentemente assintomática não chamando a atenção dos pacientes para o seu diagnóstico. Assim, os pacientes evoluem durante anos e até mesmo décadas antes de estabelecerem o diagnóstico, infelizmente, às vezes em estágios avançados. Em razão dessas características é muito importante a busca ativa da infecção.

No Brasil estima-se que existam cerca de um milhão e meio de pessoas infectadas pelo VHC. Em razão desse alarmante número, o Ministério da Saúde, apoiado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia, vem desenvolvendo campanhas no sentido de incentivar essa busca ativa. A população adulta de uma maneira geral deve realizar essa pesquisa que consta de um simples exame de sangue. Peça ao seu médico no seu próximo check-up que ele solicite a pesquisa do Anti-HCV (o anticorpo contra o VHC) no sangue. Em caso de positividade um hepatologista deverá ser consultado.

Qual o indicativo médico para o transplante de fígado?

O transplante de fígado  é um procedimento cirúrgico que consiste na substituição de um fígado doente por um fígado saudável, doado pela família de um paciente diagnosticado com morte encefálica. É uma conduta terapêutica indicada para pacientes com doenças graves do fígado, sem perspectiva de cura. A principal doença que leva ao transplante é a cirrose. O câncer primário de fígado também é uma frequente indicação.

A cirurgia do transplante é uma cirurgia longa e sujeita a várias complicações, mas tem o potencial de mudar positivamente e de forma radical o prognóstico dos pacientes. No Brasil realizam-se em torno de 1000 transplantes por ano. Embora seja um método de reconhecida eficácia tem sua aplicação limitada pelo baixo número de órgãos disponíveis para doação.

O que provoca o excesso de gordura no fígado e como é o tratamento dessa doença?

A doença hepática gordurosa não alcoólica, também conhecida como esteatose hepática, é uma condição na qual quantidades variáveis de  gordura se acumulam anormalmente nas células do fígado. Esse processo de acumulação de gordura pode determinar inflamação crônica do fígado e, em alguns casos, evoluir para quadros graves como a cirrose e a insuficiência hepática. A prevalência na população é alta podendo alcançar 30%,dependendo do país. Os pacientes com maior risco de desenvolvimento de esteatose hepática são os diabéticos, os hipertensos, os pacientes com problemas com os lipídios sanguíneos (colesterol e triglicerídeos) e aqueles com sobrepeso. Se você tem um ou mais desses problemas procure um hepatologista para uma avaliação especializada do seu fígado.

Quais as causas que estão associadas ao desenvolvimento do câncer de fígado?

A cirrose é considerada uma condição de risco para o desenvolvimento do câncer de fígado e por esse motivo os pacientes com cirrose devem ser vigiados periodicamente para o surgimento dessa complicação. Além disso, independente da cirrose, alguns pacientes com infecção crônica pelo vírus da hepatite B e também os com doença hepática gordurosa não alcoólica devem se submeter à vigilância.

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